06 agosto 2011

Adagio for Strings - Samuel Barber

Esta, sem sombras de dúvidas, é um dos mais famosos adagios. É está entre um dos mais cotados a se tratar de temas sobre a morte, o pessimismo, o lado sombrio da humanidade; acho uma música perfeita para retratar a brutalidade e a barbaridade do egoísmo humano, sobretudo, quando pensamos numa cena de guerra. É uma musica desconsoladora; ela diz isso por si. Se tratando de composição eu acho uma obra extremamente genial, sobretudo no ponto de vista de produção semantica; o efeito que consegue produzir, sobretudo com uma orquestração "simples" (apenas cordas). Todavia, não acho uma escolha de cordas tão casual, mas puramente proposital, pois o que promove o som das cordas é basicamente o som do "atrito" entre a crina e as cordas; que até certo tempo atrás era feito de fibra de intestino; e esse efeito, desse atrito, n osentido de "arranhar, subir pelas paredes, de profunda dor (lá nas suas estrenhas), é isto o que emana na música. Além disso, a forma das dinâmicas, como ela vai crescendo, intensificando... até que num certo tempo chega num ponto delirante, ficando apenas nos violinos, em fragelados tons agudos, que dilasseraram a alma, é um profundo desespero.

Ter conseguido fazer tal proesa é algo extremamente genial. É mais fácil quando pensamos em produzir grandes "climax" de euforia, bravura e alegria. Desses podemos encontrar em vários, como nos finais das sinfonias de Mahler, na 4ª de Tchaikovsky, 9ª de Debussy e Beethoven.... agora pensar em produzir um efeito oposto, produzir musicalmente um sentimento que poderia a comparar a dor de uma mãe que viu se filho morrer de forma brutal... usando apenas de cordas, com uma melodia 'tecnicamente simples', longo, penoso, mas ao mesmo tempo, não tediante, que te enche de tensão e prende até o ultimo minuto, quase te arrancando lágrimas. Para o qual não adianta apelar para fanfarrice, bombos, arpejos, ornamentações, tons coloridos, timbres coloridos, muitos instrumentos, volume, com quais é fácil fazer "uma grande festa". Por isso figo, é extremamente genial esta música. E dificil imaginar sendo feito com um outro grupo de instrumentos... talvez com trompas, flugelhorn, clarineta, trombones, tuba... todavia seria preciso ter um grande controle da embocadura para fazer uma constante vibrato mais para um tremulo bem controlado, tentando produzir efeito semelhante das cordas.

Disponibilizo essa excelente interpretação abaixo com a orquestra da  BCC, sob a batuta de Leonard Slatkin; e com umas imagens que falam por si.



Disponibilizo abaixo também um grande achado. Um arranjo dessa música para coral, com o tema "Agnus Dei". Esta expressão em latim muito comum nos "Requins", é uma expressão para representar Jesus Cristo, como o Cordeiro de Deus, Aquele que morreu, que foi trucidado/dilasserado por nossos pecados, da maneira mais cruel possível; mas que foi o meio pelo qual trouxe salvação. Pensando nisso, o tema desta música cai perfeitamente bem.


03 agosto 2011

A City Called Heaven

Conheci esta música acho que quando tinha 17 ou 18 anos, no segundo ano que entrei para o Pedra Coral na voz baixo. Lembro que veio um músico da USP nos dar aulas de canto coral, e uma das músicas que usamos como exercício foi está, que ficou marcada na minha mente, foi esta. Ela tem uma melodia muito penetrante, impactante, e ao mesmo tempo simples. E nas estrofes, enquanto há o solo, há uma pontuação bem marcada. E um coro bem intenso, expressivo, uma harmonia bem profunda quase sinistra. Encontrei, esta versão no youtube bem parecida com a que cantamos, exceto pelo final, qual terminávamos em unissono, com os homens uma oitava abaixo, fazendo um descrescendo desde o "my", mas acentuando "home" e então segurando a nota final, descrescendo até um ppp subitamente.

Procurei bastante a partitura original dela para coral e piano, mas apenas encontrei arranjos. Se alguem tiver, e se dispor a compartilhar, eu agradeceria.

27 julho 2011

Masterclass de Trompete com Prof. Carlos Sulpicio

Nos videos, um pouco do masterclass que realizei com o professor Carlos Sulpicio da Escola Minicipal de Música de São Paulo, com uma galera muito boa, onde tocamos um repertório para trompete. Creio, que especialmente para todo música, os comentários, críticas e observações que ele faz no segundo vídeo são muito edificantes. Sobretudo quando diz que um maestro não quer saber da sua técnica, se precisa respirar, se é agudo ou não, ele quer ouvir música, dinâmica, ritmo e tempo.


Anton Brucker, Deus e Sua Música

"O verdadeiro amor de Anton Bruckner era o seu "querido Deus". O homem capaz de interromper uma aula, no Conservatório de Viena, na hora do Ângelus, para se ajoelhar no meio da sala e rezar, tinha nesse Deus uma crença instintiva, sólida, enraizada no mais profundo de sua formação como ser humano. E é em sua música que se traduz a profundidade visionária de suas meditações - aqueles momentos em que estava em contato com o mundo da transcendência espiritual, cuja realidade nunca questionava. Desse mundo provinham a serenidade diante dos revezes e a força renovada que investia em sua arte criadora. Um místico numa era cada vez amis profana, Anton Bruckner tinha uma espiritualidade que era a mola mestra de sua arte.

(...)

... A força da música estava impregnada daquele poder místico que lhe dava a coragem de superar a depressão; e não é por outro motivo que a Quinta Sinfonia foi chamada de Glaubenssymphonie (a Sinfonia da Fé).

Comentário de Constantin Floros:

'Embora respeitasse muito a tradição e tirasse partido do conhecimento que lhe era fornecido pela "ciência musical", Bruckner alinhava-se com aqueles que acreditavam na importância primordial da expressão na música. Ele próprio escreveu a Franz Bayer, o diretor do coro em Steyr, que "o contraponto não é o fim em si, mas o meio para chegar a um determinado fim". Na teoria da literatura, estamos acostumados a diferenciar o autor "subjetivo" do "objetivo". Se transferirmos essas categorias para a História da Música, podemos caracterizar Bruckner como um compositor "subjetivo" que sempre criou a partir da necessidade profunda de se expressar. Ao contrário de muitos outros compositores, ele não se mantinha à distância de sua obra, mas identificava-se com ela. Portanto, cometemos uma injustiça em relação à sua música se a classificamos de "cósmica" ou se ignoramos ou banalizamos a quantidade de informação pessoal nela incorporada. Johann Wolfgang Goethe disse de sua própria obra que ela era "uma série de fragmentos de uma confissão mais ampla". Não seria exagero afirmar que isso também pode ser dito incondicionalmente da música de Anton Bruckner.'"

O Menestrel de Deus - Vida e Obra de Anton Bruckner, p. 177 e 180

22 julho 2011

Brass Quintet No.1, Op.5 (Ewald, Victor)

Para quem acha que é impossível fazer uma música de câmera para metais, olha este belo exemplo, com o pessoal da EMESP.

1º Movimento


2º Movimento


3º Movimento

11 julho 2011

Vários Adagios

Nem preciso dizer o quão essas músicas são belas. Não vou falar sobre cada uma. Mas especialmente o concerto para Oboe, é impressionante. Vejo algumas células de outras músicas... mas é profundo. Hoje ouvi uma amiga ensaiando o Lago do Cisne do tio Tchaikov, ai acho que me inspirou a pensar em adagios. Ou talvez seja uma overdose de músicas explosivas, muito coloridas, atacadas, impactantes, fogos de artificio, coisas bélicas, chocantes, que me faz lembrar de um filme de ação, sempre muita ação, força, energia, impacto. Talvez por causa do musical que estou ensaiando, das 10mil notas do trompete, 9mil e 500 são acentuadas e com tenuto... e agora busco algo mais relaxante, como o adagio do concerto para Clarineta de Mozart, que um dos temas me lembra muito uma música da igreja, mas não sei qual. O que dizer do adagio da 5ª de Mahler? Quase me faz lembrar estar sentado numa grande pedra, num mar de aguas calmas, esperando as horas passar e vendo o sol dançando no céu, até deitar-se no horizonte, mas continuo lá, e as estrelas tomam a conta de uma bela noite, junto a uma lua refletindo nas águas... porém, recheado de um certo sentimento de solidão; uma certa luta entre a angustia e o belo que parece fazer os violinos derramarem lágrimas; gostei muito desta interpretação do Abbado.








10 julho 2011

Mahler Sinfonia 10 - Adagio

Bem, está ai, um dos Adagios mais belos feitos, apesar de esse, predominante predominar o tema que me faz pensar na morte, apesar que em outros momentos, lembrar de brincadeiras infantis, coisas que me retoma a Sinfonia 1. Mas sempre trás um carater do tipo "tudo vão", "tudo passa", é de morte este adagio. Inclusive, classifico a sinfonia 10 de Mahler, com o rótulo de "Morte", assim, como a sinfonia 9 de Bruckner me faz lembrar de um velório, um de um belo jardim de cemitério. Todavia, prefiro muito mais os adágios de Bruckner - são únicos; sobretudo o da sinfonia 8; é uma obra divina. Bem, abaixo, uma interpretação de Bernstein com a Viena. Particularmente, não gostei, geralmente não gosto de movimentos lerdos ou mais espirituosos quando interpretado por ele. Acho que ele curte muito "o som", jogando muito com os "coloridos". Mas vale a pena. Bem, e teve um solo de trompa num trecho, que não sei se é o audio, mas eu não gostei nem um pouco, por mais que o cara deva ser um hyper mega músico, me pareceu o semi-profissional rachando o som de uma trompa de qualidade intermediária. Mas últimamente, estou muito cativado por adagios e obras mais profundas, espirituosas e reflexivas. John Willians não me atrai mais.


08 julho 2011

Um Requiem Alemão - Brahms

Este é um extraordinário e belissimo Requiem, uma obra sacra que extremamente bela, totalmente diferente dos requiem de Verdi, Bruckner, Mozart... Vale muito a pena ouvir, mas muito mesmo. Fiquei um bom tempo sem postar, por não ter nada que me impressionasse muito que me fizesse pensar: "Este vale a pena". Até que me deparei com este. Depois comento melhor a obra.

Podem baixar. E podem agradecer depois (sugiro q agradeça a Deus).

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31 maio 2011

Jean Sibelius c/ Mravinsky - THE BEST!!! - IMPERDIVEL!!!

Sibelius é assim. Recorde-se das belos coros de Bach, acrescente aquele teor de longas sonoridades do Romantismo, alguns recursos do modernismo, harmonias que nos lembra o mais belo de Bruckner, com melodias tão belas (ao meu ver MUITO MAIS) que podemos encontrar em Dvorak. Além disso uma grande beleza bucólica, com uma atmosfera fria mas limpa, como o virgem vento que vem das geleiras. Feche os olhos, e parece que se tem uma imagem de longas planicies e grandes montanhas e rochedos, e as mais belas paisagens da Finlandia. E ao mesmo tempo, tudo isso, com algum tipo de espiritualidade que parece emanar da música.

Esta interpretação do Mravinsky é a melhor de todos que ouvi. E tipo, de longe! O solo do trombone é magnifico, pois se mesclou a algum tipo de vento nórdico como se surgisse como uma aurora boreal. Tal solo é implacavel de todas as que eu já ouvi, aliás, a de Bernstein eu não gostei, parecia que estava tocando Tchaikovsky ou Mahler.

Bem, não morram, não durmam, não respirem sem antes de ouvir isso!!! Perfeito para uma bela noite sozinho, fria e silenciosa.

É imperdivel!!!!

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27 maio 2011

Adagio in G - Albinoni

Eu simplesmente desconhecia o compositor e a música. Sem querer, por acaso ou não, encontrei esta música, muito bela. A primeira impressão pode ser algo funebre. Mas se for obervar bem, na verdade é muito linda, é um belo pôr-do-sol frio, de primavera ou outono, melancólico, mas belo como folhas de outono ao léu do vento a soprar lento, suave, delicadamente, para longe, enquanto raiam os últimos filhetes de sol atrás das montanhas, e a escuridão vem chegando num crepusculo sombrio. E aquele melancolismo, que procura chegar no fundo e rasgar o coração, é lagrimoso, devastador, e ao mesmo tempo libertador.

Bélissimo... por fim, até a próxima manhã. Como diria Aragorn, "a esperança sempre vem com a manhã".


24 maio 2011

Johnson County Landmark - Jazz

Compartilho um excelente jazz moderno que pude ver no Teatro da Vila do grupo Johnson County Landmark, da Universidade de Iowa nos Estados Unidos.

Nipe: 4 trompetes, 4 trombones (1 baixo), 5 sax (1 tenor, 3 altos e 1 baritono), teclado, baixo elétrico, guitarra e bateria.

Direção de John Rapson.

















22 maio 2011

Trompete e Surdinas

Existem uma grande variedade de surdinas e marcas, quais os trompetistas (e outros nipes) utilizam para mudar o som, fazer efeitos sonoros, ou simplesmente abafar. Quanto a isso, disponibilizo uma lista de surdinas e marcas elaborada pelo Fernando Dissenha, trompetista da OSESP.

Straight
MB em fibra de vidro e alumínio (MB são as iniciais do fabricante Marcus Bonna)
Tom Crown em alumínio
Denis Wick em alumínio
Leblanc Allessi Vachiano em alumínio com espuma – para passagens suaves
TrumCor Lyric para passagens suaves
Íon Balu para passagens suaves

Cup
TrumCor
Humes & Berg
MB

Harmon
Jo-Ral – cobre e alumínio

Piccolo
Tom Crown – straight, harmon e cup
MB – straight em fibra de vidro

14 maio 2011

Um Milagre Senhor

Instrumental da Igreja Central de Santo André tocando a música "Um Milagre Senhor", canção que ficou muito famosa pelo grupo vocal "Prisma", da Igreja Adventista de Santo André.

Participantes:

Violinos: Maria Eduarda, Vitóia e Patrizia
Flautas: Angélica e Robert
Sax alto: Hugo, Jeferson, Denis e Victor
Sax soprano: Elcio
Trombones: Elton e Lucas
Trompa: Fernando
Trompetes: Evandro e Matheus
Piano: Renne
Violão: Rafael
Baixo: Alexandre

Solista: Bárbara
Arranjo: Elcio Pallone


Video do ensaio


Pra valer (no culto)
Opção 1


Opção 2


OPção 3

11 maio 2011

Hope Brass - Pq. da Juventude, SBC

Dia 7/5/2011 tocamos no Pq. da Juventude em São Bernardo do Campo, no Projeto Vida por Vidas, uma campanha para doação de sangue e medula óssea.

Trompetes: Marcio, Canada e Evandro
Sax: Magal e Elcio
Trombone: Lucas e Elton
Tuba: Elton

Breve Jesus Voltará

arranjo: Elcio Pallone

Carol of Bells

Arranjo: Paulo Penegacci

Um Milagre Senhor

arranjo: Elcio Pallone

Lindo És Meu Mestre

Arranjo: Paulo Penegacci

Holy! Holy! Holy!

Arranjo: Paulo Penegacci

O Haupt voll Blut und Wunem - Bach

Arranjo: Paulo Penegacci

04 maio 2011

2ª Sinfonia de Mahler

Depois de um pouco de trabalho, fiz uma tradução, claro, longe de uma tradução profissional que preserva bem a poesia etc. Mas foi o melhor que pude fazer. O original pode ser visto no Wikipedia.


Letra da 2ª Sinfonia de Mahler
(tradução com ajuda do Google)

Oh vermelha rosa!
O homem encontra-se em maior necessidade!
O homem encontra-se em maior dor!
Como eu preferiria estar no Céu.
Não vim por um caminho largo
quando veio um anjo pequeno e queria me afastar.
Ah não! Eu não iria me deixar ser afastado!
Eu sou de Deus e devo voltar para Deus!
Oh Deus de amor, me conceda um pouco de luz,
qual será minha luz na bem-aventurada  vida eterna!

Ressuscitar, sim, subir novamente,
Será você, Meu Pó,
após um breve descanso!
Imortal vida! Vida imortal
Para que aquele que vos chamou, dar-lhe.
Para florescer novamente foste você plantado!
O Senhor da colheita vai
e reúne, como roldanas,
juntos, aqueles que morreram.
Oh acreditar, no meu coração, ó acreditar:
Nada que você tenha feito está perdido!
Tua é, sim, o seu, é o que você deseja
atenciosamente, o que você tem amado
O que você tem lutado para!
Acreditar,
Você não nasceu para nada!
Não por nada, viveu, sofreu!
O que foi criado
deve perecer,
o que perece, subir novamente!
Deixe passar, tremer!
Prepare-se para viver!
Ó dor, você quer permeia todas as coisas,
de você, terei sido arrancada!
Ó Morte, Você masterer de todas as coisas,
Agora, você conquistou!
Com as asas que eu ganhei para mim,
no amor é feroz a luta,
vou subir para cima
para a luz que os olhos não penetrou!
As asas que ganhei são extensas,
e voarei para cima.
Morrer terei para viver.
Ressuscitar, sim, subir novamente,
Irá, meu coração, em um instante!
É para isso que você sofreu,
Para Deus levar você!




Aproveite e não deixe de ver esse incrivel Finale, em alta quaidade com o Abbado, e com legenda.